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Imagens Nacionais: Notas sobre o Cinema Brasileiro nas décadas de 20, 30 e 40

Roberto Pires

Aprecie!

Introdução

Este trabalho visa complementar as atividades até então desenvolvidas na cadeia de História do Cinema III, dando ênfase para o tutelante cinema tupiniquim e suas relações na transição do cinema mudo para o sonoro.

Após a Bela Época, período áureo do cinema entre 1908 a 1912, o cinema entra em crise, as produções caem num ritmo quase inexistente, dando vazão para as telas serem ocupadas com filmes franceses e americanos. No íncio da década de 20, temos os primeiros sinais de revitalidade, através dos ciclos regionais tomam seu lugar na história. De Pernambuco a Porto Alegre, pessoas e máquinas movidas a manivela constroem uma parte do registro brasileiro, fora do nascente eixo Rio-São Paulo. O mundo conhece diversas movimentos cinematográficos históricos como o futurismo, surrealismo, expressionismo e as vanguardas russas.

Na década de 30, já com o domínio da estética e linguagem cinematográfica, nascem os primeiros clássicos do cinema mudo brasileiro, modalidade já decadente em outras partes do mundo com a inauguração oficial do sistema sonoro em 1927. Com a entrada do som nas salas de cinema, o cinema vira indústria de fato. A era de ouro hollywoodiana é imposta mundialmente, estabelecida através dos modelos de studio system, star system e cinema de diferentes gêneros. Os franceses seguram o realismo poético e os ingleses com sua escola de documentaristas. Nesta mesma década e na seguinte, com o fim dos ciclos regionais nacionais, os cariocas detém praticamente toda a produção nacional com a produção de comédias populares e musical.

O conteúdo deste sofrerá fortes resumos com fontes bibliográficas descrito no final do trabalho. O pouco tempo no qual foi proposto a execução deste não permitiu a profundidade temática merecida.

A retomada da produção nos anos 20

Alguns pontos contemplam a retomada do cinema nacional na década de 20, mais precisamente em 1922, quando um gesto melancólico para as comemorações do centenário da Independência deu origem a trabalhos nacionais em forma de documentários e cinejornais.

O lançamento da revista Cinearte conjugou a união entre os jovens realizadores, antes dispersos pelos país. Através desta comunicação, estimulou-se o diálogo e a vinculação de novos contatos e projetos. Aqui é estabelecido um marco para algo que pode ser considerado um movimento do cinema brasileiro, uma verdadeira tomada de consciência cinematográfica.

Os focos de criação surgem em diversos pontos do país: Campinas, Recife, Belo Horizonte, Rio Grande do Sul, Sul de Minas Gerais. Estes ciclos, em sua maioria, foram formados por pequenos artesãos ou jovens técnicos, com espaço para o fervor juvenil e orgulho regional por queimar película em sua terra.

Poderíamos citar muitos nomes de destaque, mas vamos ater a apenas um: Humberto Mauro. Vindo da fase mineira de Cataguases, este cineasta desenvolveu a primeira carreira contínua, coerente e bela que o cinema do Brasil conheceu. Aprimoramento estético e busca de uma linguagem contendo valores nacionais foram os seus principais legados para a história e seus seguidores, dentre eles, Glauber Rocha.

Outro fruto do periódico Cinearte foi a criação da companhia cinematográfica Cinédia, de onde saíram filmes direta ou indiretamente vinculados com a produtora como Lábios sem Beijos e Ganga Bruta de Humberto Mauro e Limite de Mário Peixoto.

Anos 30 e 40 - Crise e hegemonia carioca

Antonio Costa inicia no capítulo "O Cinema sonoro dos anos 30 aos 50" de seu livro: "O aparecimento do cinema sonoro implicou uma verdadeira revolução não só na estética do filme mas principalmente nas técnicas de produção e nos níveis econômicos da indústria cinematográfica."

Cineastas de peso tiveram as suas dúvidas quanto a novidade revolucionária da época: "É compreensível que os cineastas que tinham feito da ausência da palavra e do som o princípio estrutural da expressão fílmica, tenham resistido a tais inovações: foi o caso de Chaplin, quem não se adaptou à nova técnica mas tentou adaptá-la a suas exigências, entre mil dúvidas e incertezas ... Da mesma forma, os cineastas soviéticos preocuparam-se em circunscrever, com o chamado 'movimento do assincronismo', as novidades do cinema sonoro, tratando de evitar os perigos de um retrocesso aos modelos do teatro e da literatura. O manifesto, assinado por Eisenstein, Pudovkin e Alexandrov, tentava explicitamente canalizar o uso do som na direção do contraponto, do conflito entre trilha sonora e ótica, visando garantir a primazia da montagem como princípio organizador e estético do filme."

O triunfo do som nos cinemas foi principal causa da nova crise no cinema nacional. Com poucas chances de competir com os estrangeiros, sem verbas para comprarem equipamentos de captação de som e falta de recursos para a continuidade de produção, paulatinamente extinguem os ciclos regionais e a produção fixa-se exclusivamente em território fluminense, mais precisamente nos estúdios da Cinédia e na Brasil Vita Film, empresa dirigida por Carmen Santos com Humberto Mauro na direção de alguns filmes.

Esta crise entra em paradoxo com a situação política no país. Com a intervenção do Estado na atividade cinematográfica, é vendido o sonho de uma verdadeira indústria que era legitimado pela própria Revolução de 1930, que representa para o país o paradigma do poder agrário para o urbano.

A realidade brasileira neste período foi agitadíssima. Fatos como a Coluna Prestes ou a participação na Segunda Grande Guerra não surtiram efeitos relevantes na produção cinematográfica. Tal comodismo pode ser considerado em parte pela mãos de ferro do Departamento de Imprensa e Propaganda do período varguista. Com a dominação dos jornais cinematográficos, levam a derrocada a maioria das produtoras. Afrânio Catani em seu capítulo "A aventura industrial e o cinema paulista" do livro organizado por Fernão Ramos, conclui que "a propaganda (getulista ou ademarista, governamental ou privada) era a base de sustentação dos nossos filmes naturais."

A receita de gênero brasileiro que durou quase vinte anos foram a comédia musical e a chanchada, com grande apelo popular e tipicamente nacional, fora dos padrões predominantemente americanos.

Bem no final da década de 40, duas estrelas maiores sobem no panorama nacional com as chanchadas e comédias apolíticas da Atlântida e a Vera Cruz, onde tinha como meta produzir filmes brasileiros com qualidade internacional.

Bibliografia
BARRO, Máximo. O Cinema aprende a falar. São Paulo, Centro Cultural de São Paulo, 1997.
COSTA, Antonio. Compreender o Cinema. São Paulo, Editora Globo, 1989.
GOMES, Paulo Emílio Sales. Cinema: Trajetória no Subdesenvolvimento. São Paulo, Paz e Terra, 1996.
RAMOS, Fernão (organizador). História do Cinema Brasileiro. São Paulo, Art Editora, 1987.

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