Filmagem Profissional é Interrogação Filmes :: Artigo sobre o Filme 'O Colecionador'
Início Nossa
Interrogação
Vídeo e
Cinema
Comunicação
Empresarial
Serviços
Digitais
Curtagora
e Beabá
Portfolio
Online
Textos e
Ensaios
Nós no
Facebook!
Entre em
Contato

Artigo sobre o Filme 'O Colecionador'

Lúcio Mazzaro

Aprecie!

Em "O Colecionador" (1965, dir. Willian Wyler), temos a história de um rapaz solitário, que em sua obsessão por uma mulher, aprisiona-a no porão de sua casa. É na tentativa desse rapaz criar um vínculo afetivo com a moça que se tem uma das maiores ilustrações sobre a deterioração de um relacionamento pela incapacidade de se conceber o Outro.

Freddy/"Franklin" (Terence Stamp) sequestra Miranda Grey (Samantha Eggar) visando um "nobre" objetivo: demonstrar seu amor por ela e ser correspondido. Obviamente não terá sucesso pois só o sequestro em si será o primeiro de uma série de obstáculos à reciprocidade desejada por Freddy.

O problema de Freddy é justamente o confronto entre o que ele idealiza (sobretudo a sua concepção da mulher amada) e a realização daqueles ideais. Ele não compreende (ou até aceita como corretas) as inconsequências de suas ações, e não percebe a destruição que provoca ao objeto amado. Esta imaturidade de caráter não evidencia-se apenas fisicamente, com seu andar meio trôpego ou o baixar de cabeça como uma criança repreendida, mas na própria aceitação de uma subjetividade alheia (por exemplo, numa obra de arte, quando deprecia as faces disformes de um quadro de Picasso: "as pessoas não são assim!").

Imaturidade cultivada numa vida sem afetividade (mesmo no trabalho, sua mesa encontrava-se isolada das dos demais "colegas"), cuja única relação desenvolvida foi a de posse (a coleção de borboletas) e é neste mesmo âmbito que dar-se-á sua relação com Miranda. A concepção mais próxima de reprodução, para Freddy, é a incubação que realiza nas larvas que recebe de um fornecedor: enclausurada no porão da casa de Freddy, a moça vive como mais uma de suas borboletas, desenvolvendo seus desenhos, colorindo o seu "casulo", sob o afastado olhar de seu "dono", que apenas a veste e alimenta. O contato físico entre eles ocorre exclusivamente em função das tentativas de fuga de Miranda, quando Freddy é obrigado a subjugá-la pela força, agarrá-la, abraçá-la, amarrá-la, ou, em dado momento, quando por iniciativa própria a moça tenta acariciá-lo. Para Freddy são momentos de verdadeira provação, uma afronta à "pureza" que almeja à relação.

É na recusa de Freddy à introdução de elementos exteriores ao "seu mundo" (mas atraídos pela própria manutenção de Samantha) que faz da moça objeto de crescente decepção aos ideais do rapaz, que, em contrapartida, cada vez mais esforça-se a manutenção dos mesmos; ideais que causam um desequilíbrio esmagador de concessões, no qual um dos lados (Miranda) acaba por anular-se totalmente: morta, torna-se literalmente apenas um objeto: não há mais essência à admirar. Por isso, Freddy, como um colecionador, parte em busca de um novo "exemplar".

Interessado?

Entre em contato para conhecermos suas idéias & projetos.

TEXTOS LIVRES
Nossos textos e ensaios estão livres para consulta e reprodução, desde que citado a fonte.

RECEBA POR E-MAIL
As novidades do meio audiovisual como datas de festivais, mostras, eventos, cursos, oportunidades, etc. Digite seu e-mail:

Rua Duílio, 662 :: São Paulo, SP, Brasil :: 05043-020 :: Voz 55 (11) 5842-0280
2001-2015 ® Interrogação Filmes Ltda. .

A Interrogação Filmes é uma produtora de conteúdo audiovisual para
vídeo, cinema, televisão e internet. Suas produções e iniciativas
trazem o questionamento coletivo, gênese da conscientização pública e social.