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O Império Walt Disney

Joana Forlani

Aprecie!

I.

A primeira animação da história do cinema aconteceu em 1907 com L'Hotel Hanté (de Stuart Blackton), onde apreciamos uma cena em que uma faca corta sozinha um salame, graças a um processo desenvolvido na época que filmava imagem por imagem. Após este vieram ainda outros como Magic Fountain Pen, Humouros Phases of a Funny Face. Eles eram inicialmente chamados de Trickfilm ou Filmatruks.

Este método - originalmente americano - foi descoberto por Emile Cohl (Gaumont) da França, do qual utilizou-se para filmar "Fantasmagoria"(1908), onde um elefante metamorfoseava-se em bailarina e depois em várias outras personagens. Sua maior obra prima foi o filme Fantoches.

Ainda a Inglaterra ( com Armstrong) ou a Rússia, por exemplo, criavam animações em pequenas escalas, sendo que neste último país o nome mais notável foi de Starevitch que animava insetos mortos e bonecas (1912)

O desenvolvimento do desenho animado foi sustentado pela voga - que não parou de aumentar - dos "Comic Strips" (história em quadrinhos ), publicado pela imprensa em grande tiragem.

A grande difusão dos desenhos animados americanos, imprimiu durante a guerra um novo impulso à escola francesa. Porém no final do cinema mudo, o desenho animado estava em pleno declínio. Por outro lado a escola americana prosperava. Os irmãos Marx e Dave Fleicher criavam desenhos com personagens humanas conhecidas até hoje. Por exemplo, Betty Boop, a sensual caricatura percursora da "Pin Up" que foi proibida pelo Código do Pudor e da Legião da Descência. Outra criação famosa foi Popey, que originalmente foi criado como publicidade para uma empresa de espinafre em conserva. E já desde seus primórdios , era atormentado por Brutos, um brutamontes que queria roubar sua mulher, Olívia Palito.

Nesta mesma época, Patt Sulivan, com excelente êxito comercial , lança no mercado o Gato Félix, que faz nascer inúmeros animais concorrentes. É aqui que Disney inicia seu reinado.

II.

Walt Disney, nasceu em 1901, na cidade de Chicago, teve uma educação bastante rigorosa e severa, principalmente por parte de seu pai, Elias Disney. Esta educação (como veremos mais a frente, principalmente em relação à sua obra) fez de sua vida uma intensa devoção tanto aos desenhos, quanto à sua pátria

Após saber da inexistência de sua certidão de nascimento, Walt especulou uma possível relação da falta de amor de seu pai com a abalada autenticidade de não ser um filho legítimo.

Embora esta hipótese nunca tenha sido desvendada, é fato que Disney foi muito marcado emocionalmente por esta dúvida. Ainda motivaria, mais tarde, a ligação entre Disney e o FBI.

III.

Após servir à Cruz Vermelha, Walt, que já havia estudado desenho e caricatura, resolve trabalhar em algumas agências publicitárias onde conhece seu futuro sócio Ub Ikers, com quem faz, em 1923 seu primeiro filme Little Red Riding Hood (Chapeuzinho Vermelho).

Ainda entre 1923/26 estreou mediocremente com sua série das Alices (mistura de animação com filme comum) e depois inventou o Coelho Oswald - "mais comum, mais terra a terra, menos expressivo também que seu modelo, o Gato Félix". Foram feitos 26 filmes até que seu produtor foi à falência acabando com a produção.

Assim Disney, quase contra sua vontade teve de adotar Mickey. Já nesta época (com seu irmão cuidando da parte financeira do estúdio) Disney ocupou-se principalmente em coordenar as produções, sendo Ub quem efetivamente desenhava. Curiosamente, este nunca teve seus créditos.

Mickey, com uma grande sorte, tornou-se um herói quando a animação, já desgastada viu na música e nos ruídos uma salvação: "Enquanto Fleicher se limitava a ilustrar seus desenhos com canções populares inglesas, Disney compreendeu que uma nova comicidade poderia nascer da aliança do som e do desenho. (...) A comicidade dos primeiros filmes de Mickey eram quase sempre baseadas em gags musicais: pianos com movimentos de animais, panelas que tocam um carrilhão, bailados executados por personagens que se multiplicavam, maxilar de vaca utilizado como xilofone, etc."

Era iniciada, então uma série de animais animados, a Vaca Florabella, o cão Pluto, o parvo Pateta e seu famoso Pato Donald, entre outros. A arte de Walt Disney atingiu seu apogeu durante o período anterior à Guerra. A marca maior de seus filmes sempre foi, alem da poesia e da inôcencia, a comédia - que notavelmente foram inspiradas em inúmeras comédias e clássicos americanas (como Mack Sennett, por exemplo)

Snow White and the Seven Dwarfs (Branca de Neve e os Sete Anões, 1938) marcou o apogeu do êxito comercial de Disney. Aproveitando a experiência da série do Mickey, explorava-se amplamente os produtos do filme, como bonecas, roupas, etc (estratégia ainda hoje extremamente utilizada na indústria de filmes infantis).

Os outros filmes que seguiram Branca de Neve - Pinócchio, Bambi, Dumbo e Fantasia -- foram todos concluídos entre 1936 / 41 e representaram seu chamado "período áureo", que terminou no ano em que a greve contra o estúdio teve início. Disney foi, incontestavelmente, um grande artista - o que fica claro nestes clássicos - mas é acompanhando sua história que podemos fazer uma leitura de sua personalidade através de seus filmes repletos de moralismos e repressões. Percebemos em seus filmes a importância da família assim como as trágicas conseqüências de quando esta é violada. Em todos estes filmes os heróis começam com grandes "defeitos" de personalidade, exteriorizados pela perda ou ausência da figura dos pais, como a substituição da madrasta má de Branca de Neve por sua mãe verdadeira ,ou a morte da mãe de Bambi. Esta busca pela exorcização de seus dramas, são sempre ameaçados por forças do mal. A maçã envenenada em Branca de Neve, desde os primórdios utilizada como símbolo do mal, Pinnochio que é induzido a mentir e por isto começa a virar um menino burro. Ou em outras situações como Nos Três Porquinhos que em pleno "New Deal" pregava a moralista lição de que o trabalhador estava seguro do Lobo Mal (assim como em a Cigarra e a Formiga). "Quem tem medo do Lobo Mal" era um verdadeiro desafio à crise.

Apesar das evidências, Disney negava qualquer análise psicológica a seus filmes pois considerava estas como parte da mesma conspiração judeu - marxista que trabalhavam para destruir seu estúdio. "Ironicamente, a cegueira emocional de Disney na vida real revelou-se como fonte dessa grande visão artística. Era precisamente sua negativa consciente que limitava sua percepção e, consequentemente, seu controle sobre a força subtextual de seus filmes, e o libertava das barreiras da auto repressão cautelosa. A fantasia puramente instintiva exteriorizadas por Disney eram a chave do apelo universal que seus filmes exerciam sobre as crianças de todas as idades."

IV.

Em 1941 - ano da greve em seu estúdio - já havia um ano da entrada de Disney no FBI. Colaborava reportando atividades de atores, escritores, produtores, diretores, técnicos e ativistas sindicais de Hollywood que o FBI suspeitava de subversão política. Disney entendia seu posto no FBI não só como dever patriótico, mas também como obrigação moral. Justamente por isto, considerou a greve de seus funcionários, que eram submetidos a longas jornadas de trabalho nem sempre tão bem remuneradas, como uma traição de filhos para pai. Chegou ao ponto de aliar se a conhecidos do crime organizado para reforçar sua resistência. Em troca dos relatos, Hoover (seu "padrasto" do FBI), dava -lhe a grande possibilidade de investigar sobre seus verdadeiros pais.

Neste mesmo ano, Disney vem ao Brasil. Por detrás da sua vinda estava Nelson Rockfeller proprietário da rádio RKO (também responsável pela vinda de Orson Welles ao Brasil, onde filmaria seu documentário "É tudo verdade").

"Era o esforço - conjunto de guerra, responsável pela ida de Ary Barroso a Hollywood, compondo música para diversos filmes, assim pela de Carmem Miranda e pela vinda de um técnico (experimentado nas artes marciais) e de uma gigantesca agência de propaganda arquitetada por Nelson Rockfeller, no seu formidável esforço de derrubar os Países integrantes do Eixo, em luta contra o mundo Democrático, e tentar restabelecer a liberdade dos povos contra qualquer opressão (...)"

É nesta visita, que posteriormente, desenvolveria o personagem Zé Carioca nos filmes Salutos Amigos (Alô Amigos ) em 1943 e The Three Caballeros ( Você já foi à Bahia?) em 1944.

Podemos ter uma demonstração significativa da política de boa vizinhança adotada na época assim como a participação do Brasil. "Falando à imprensa carioca, à sua chegada monumental, teve oportunidade de se referir ao grande prestígio que gozava o Brasil na América do Norte, não só entre o povo, mas também nos circuitos da imprensa, rádio, cinema nos meios artísticos e culturais decorrentes não só de um entendimento, como também pela posição ocupada pelo nosso país na defesa da democracia contra a agressão totalitária, evidenciada pela valorização das coisas brasileiras. Na verdade o front econômico se movimentava para assegurar o acesso às matérias primas estratégicas ."

É ainda neste ano que os EUA entram oficialmente na Guerra. Walt passou, então, a ser requisitado pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica a colaborar no esforço da Guerra com desenhos patriotas, como por exemplo desenhos ensinando a reconhecer um navio amigo de um inimigo.

Quando a guerra acabou em 1945, os irmãos Disney deviam 5 milhões aos bancos. Saíram da crise novamente em 1950 com Cinderella.

V.

Meu intuito ao realizar este trabalho - muito mais biográfico do que de análise - era justamente de pesquisa sobre esta celebridade tão aclamada e desconhecida. Muito mais que uma pessoa, Walt Disney é sinônimo de fantasia e graça como precursor desta categoria cinematográfica, mais comumente direcionada às crianças (embora não seja raro a apreciação de adultos por sua obra). Por outro lado, vemos no mito um ser humano profundamente atormentado onde ora requisitou serviços do crime organizado contra seus funcionários, ora doou, próximo à sua morte, a quantia de US$ 10 milhões ao Califórnia Institute of Arts.

É realmente inegável sua arte, tanto pela sua permanente atualidade, quanto pela sua qualidade. De qualquer maneira tornou sua obra maior que sua morte e, principalmente, as cores de seus inconfundíveis desenhos maiores que suas sombras pessoais.

Bibliografia

SADOUL, Georges. História do Cinema Mundial - Vol. I.
ELIOT, Marc. Walt Disney - O Príncipe Sombrio de Hollywood
NADER, Ginha. Walt Disney - Prazer em conhecê-lo


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http://w3.to/interroga

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