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Alfred Hitchock - Mais que um Suspense

Luciano Figueiredo e Arlindo Leme

Aprecie!

O Diretor

Alfred Joseph Hitchcok dispensa apresentações, é simplesmente considerado um dos maiores diretores de cinema de todos os tempos e um dos mais imitados. Nascido na Inglaterra em 1899, cresceu dentro de uma família católica, o que era considerado pelo próprio uma excentricidade. Estudou desde jovem em um colégio de Jesuitas onde, segundo ele aprendeu tudo sobre medo. Seguiu os estudos para ser engenheiro, mas a paixão pela arte o aproximou do cinema. Começou a dirigir em 1925 e ainda na Inglaterra construiu a fama de mestre do suspense. Em 1939 chega em Hollywood, onde recomeça uma carreira de grande sucesso de público. Somente alguns anos mais tarde é que Hitchcok alcança também a respeitabilidade dos críticos americanos. Ao longo de sua carreira, o diretor aprimorou e imprimiu definitivamente sua marca no cinema, é um dos poucos cineastas cujo estilo, como afirma Truffaut, "será reconhecido mesmo em uma cena de conversa entre dois personagens simplesmente pela qualidade dramática do enquadramento, pela maneira realmente única de distribuir os olhares, de simplificar os gestos, de repartir os silêncios ao longo do diálogo, pela arte de criar no público o sentimento de que um dos personagens domina o outro (ou está apaixonado pelo outro, ou tem ciúmes do outro etc) , de sugerir, fora do diálogo, toda uma atmosfera dramática precisa, a arte, enfim, de nos conduzir de uma emoção a outra ao capricho de sua própria sensibilidade.".

Algum tempo antes de sua morte (29 de abril de 1980), Hitchcock propôs o epitáfio que gostaria de ver inscrito em seu túmulo: "Veja o que pode acontecer, se você não for um bom menino".

Diferenciais Hitchockianos

Personagens: Os personagens, em geral, são poucos, porém consistentes. Estão sempre em crise, e as diferentes culpas são as variações do tema. Sempre presentes, estão um homem solitário (sem álibis) e uma mulher sedutora (muitas vezes estranguladas).

Roteiro: geralmente os roteiros são iniciados com localização espacial e temporal, seja através de imagens ou letreiros; possuem informações didáticas que envolvem e dão segurança ao espectador ("Na forma comum do suspense, é indispensável que o público esteja perfeitamente informado dos elementos presentes. Senão, não há suspense", A.H.); temas são voltados à realidade.

Elementos: um crime; um suspeito; o questionamento da justiça aparente; elementos críticos; happy end.

Análise Fílmica

Sabotagem (Sabotage. EUA, 1942)

Saboteur de Alfred Hitchcok foi ostensivamente uma contribuição do diretor para a propaganda patriótica no período da guerra. Apesar do filme ser emblemático de acordo com outras produções do mesmo período, sua história destacou-se do simples "Buy War Bonds".

O filme precisou de mais de 1000 cenas e 4500 posições de câmera para contar sua intrigante história. O grosso da produção foi rodado dentro dos estúdios da Universal em Hollywood, mas Hitchcock também gravou em Nova York. Propositalmente, algumas fotografias dos atores foram captadas de grande distância usando lentes teleobjetivas para se criar a impressão da vastidão da América. Quando o diretor não achava o deserto ideal ele tinha um construído no estúdio. Detalhista, ordenou que a mansão da 5ª Avenida usada no filme fosse construída ao custo de 45,000 dólares.

Mas o filme não se resume em apenas cenários caros. Contribuindo no roteiro, estava a escritora Dorothy Parker, cujo humor "torto", fica evidente ao longo do filme, principalmente nas cenas trupe circense. Há, por exemplo, um par de irmãs siamesas que não falam uma com a outra e uma delas constantemente reclama da insônia de sua irmã. Este tipo de humor pode ser notado ao longo de todo o filme, funcionando como uma espécie de pegadinha do autor.

O filme teve como subtítulo " O homem atrás de você", que brinca com o medo dos americanos que durante a guerra se encontravam fragilizados e inseguros. Mas este não foi o único slogan usado na propaganda do filme, outro muito mais adequado aos anseios nacionalistas era o criado por Otto Kruger: " O mundo está dividido em dois lados e eu sei em qual me encontro".

Sabotagem foi um precursor de um grande sucesso de Hitchcock, Intriga Internacional, o mesmo tema é encontrado em ambos: o herói acusado falsamente de um crime e que não pode contar com a polícia, pois precisa de tempo para esclarecer-se, e a tour pelo país.

Entrevista

Para concluir, segue abaixo trecho da conversa entre Hitchcock e Truffaut sobre Sabotage:

Truffaut: Eis que chegamos agora a Sabotador, e em Hollywood e Nova Iorque em 1942, e que é preciso não confundir com seu filme inglês, O marido era o Culpado (1936). Esse filme é explorado há quase vinte anos na França sob o título de Quinta Coluna. Um jovem empregado em uma fábrica de armamentos é acusado sem razão de uma sabotagem. Ele foge, encontra uma moça que de início quer entregá-lo à polícia, depois decide ajudá-lo. Isso se parece com o resumo de quase todos os seus filmes de perseguição, mas todo mundo sabe de que filme se trata quando se faz alusão ao final que se desenrola no topo da estátua da Liberdade.

Hitchcock: Com Sabotador, nos encontramos sob o domínio de Os Trinta e Nove Degraus, de Correspondente Estrangeiro ou ainda de Intriga Internacional. Novamente nos vemos diante do MacGuffin, diante das algemas e diante de um roteiro-itinerário. Ainda uma vez, o risco principal de um filme como esse reside na dificuldade de conseguir um ator importante. A cada vez que rodei um filme desses gênero e que o herói não era um astro, parece-me que o resultado foi afetado por isso, pela simples razão de que o público atribui menos importância aos aborrecimentos e problemas de um personagem interpretado por um ator que não lhe é familiar.

Em Sabotador, o papel do herói era interpretado por um ator muito competente, Robert Cummings, mas que pertence a categoria dos atores ligeiros. Seu rosto tem um ar divertido e, quando está realmente em uma má situação, não se pode ler isto em seu rosto.

Segundo problema: eu estava emprestado, ou melhor, alugado, por Selznick, a um produtor independente e o filme ia ser distribuído pela Universal, ora, o estúdio me impôs a estrela feminina principal. Não era uma mulher para um filme de Hitchcok.

Truffaut: Era Priscilla Lane, essa, não se pode nem acusá-la de ser sofisticada! Ela era muito familiar e até um pouco vulgar...

Hitchcock: Sim, nisso fui realmente traído. Chegamos ao terceiro problema: a escolha do vilão. Estávamos em 1941 e havia na América sociedades pró-alemãs que eram chamadas de America Firsters, exatamente fascistas americanos, e foi neles que havíamos pensado ao escrever o roteiro. Para fazer o papel de chefe dos vilões, tinha pensado em um ator muito popular, Harrey Carey. Habitualmente, ele só fazia papéis muito simpáticos e quando o contatei, sua mulher ficou encolerizada: "Estou realmente indignada de que ouse oferecer a meu marido um papel como esse. Afinal, depois que Will Rogers morreu, toda a juventude americana tem os olhos voltados para o meu marido!". Eu estava decepcionado por perder esse elemento de contraponto e finalmente contratamos um vilão convencional: Otto Kruger.

Bibliografia

HARRIS, Robert A e LASKY, Michael S. The Films of Alfred Hitchcock. Ney York: The Citadel Press, 1976
RUBENSTEIN, Leonard. The Great Spy Films - A Pictorial History. Ney York: The Citadel Press, 1979
TRUFFAUT, François. Hitchcock Truffaut - Entrevistas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988
ARAÚJO, Inácio. Alfred Hitchcok - O Mestre do Medo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1984

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