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Cristianismo e Cinema

Roberto Pires

Aprecie!

Um breve resumo sobre os primeiros 60 anos de Cristo no Cinema

"Quem os homens estão dizendo que sou?"
(Jesus em Marcos 8:27)

Curioso, Jesus perguntava para os seus discípulos como a sociedade da época o via. As respostas vieram logo a seguir: uns pensavam que era João Batista, e outros diziam que era Elias, ou algum profeta antigo que voltou a viver novamente. Pedro, carismático e amado por Cristo, deu a reposta para o momento e para a posteridade: que ele era o Messias, o filho do Deus vivo. Porém, ninguém tinha sequer uma previsão de que os homens, maravilhados pelos seus feitos iriam responder esta aguçada questão através das diversas modalidades de expressões artísticas durantes estes dois milênios completos. Veremos neste trabalho, a visão dos homens sobre Cristo através do cinema.

Contemplando os principais filmes temáticos realizados desde os primórdios do cinematógrafo até poucos anos antes da era dos grandes épicos bíblicos hollywoodianos, "Cristianismo e Cinema" entrará nesta dualidade entre os filmes religiosos e os filmes sobre religião. Como encarar esta questão, ou indo além, será que se pode realmente exigir ou existir tal divisão quando está em pauta uma das maiores histórias que mundo já conheceu, independente de ser colocada como verdade indissolúvel ou apenas um mito no inconsciente popular.

Justamente, por se tratar de uma análise fora da única era onde o próprio cinema bíblico foi reconhecido pelo grande público, tomamos uma outra indagação: como servir os valores cristão sem minimizar o ideal do Belo (este totalmente advindos de referências da pintura medieval e renascentista). O Belo, chacoalhado pelo tempo, agora ganha movimentos teatralizados. O Cristo, visto na maioria das vezes, segue o padrão europeu: sujeito branco, olhos claros, barba a gosto, rosto sereno, gestos divinos. É como ver os quadros de Michelangelo ou os personagens da Capela Cistina ganharem o sopro da vida para serem revelados a 18 ou 24 quadros por segundo. A idéia platônica caberia perfeitamente aqui: O Belo é o esplendor da Verdade.

Outro ponto que estaremos vendo nas análises dos filmes desta época será o comportamento da crítica especializada frente às obras religiosas. Criticando a própria crítica, eles se vangloriam de serem espíritos bravos e fortes, e talvez se irritem ao ver que em pleno século de luzes iluministas ainda se tratam de assuntos com essência religiosa. A imprensa anti-religiosa teve, em muitas vezes, o gosto de apoderar-se da "faca" e do "queijo" para dizer que a religião - e todas as suas crenças e mitos religiosos - implicam em uma forma de expressão menor e ultrapassada, denunciando as condutas eclesiásticas e gritando para todos ouvirem que são pró-conceito "Deus morto" de Niestchie.

Assim como os films d'art, temos que estar preparados psicologicamente para o que surgir, dentro dos preceitos do mundo conceitual, o sobrenatural não precisa estar aparente na película. Segundo Henri Agel, "é necessário saber colocar-se em estado de graça para vê-lo manifestar-se ou, mais exatamente, para compreender qual a dimensão da história contada" (AGEL, Henri. op. cit.)

Por fim, talvez seja impossível falar friamente daquilo que amamos, seja pela sétima arte, seja pela autenticidade dos atos exemplares do Homem-Deus. Para isto, o estudo da religião no cinema não será encarado como disciplina rigorosa. Paralelamente à visão de Agel, talvez por um desejo, ao final das diversas impressões, de tentar compreender melhor a beleza natural contida na decupagem bíblico-cinematográfica.

O verdadeiro cinema cristão se caracteriza pelo seu realismo espiritual, e não pelo seu discurso ou debate por filosofias vãs. O cristianismo pode ser visto e contemplado, tanto no testemunho pessoal, como no cinema, mesmo sem o próprio autor saber que foi um canal de graça de Deus com a humanidade.

Cinema Mudo

THE PASSION PLAY OF OBERAMMERGAU (1898)

Considerado como um dos primeiros filmes religiosos já produzidos, The Passion Play of Oberammergau teve Frank Russel protagonizando Jesus, o que lhe coube a menção de ser o primeiro ator profissional de teatro com papel em um filme. A fotografia foi realizada por William C. Paley, que construiu sua própria câmera para evitar o domínio monopolista da companhia de Thomas A Edison. Esta queria o controle total de patentes sobre a manufatura e venda de câmeras e projetores cinematográficos.

Com duração de 19 minutos, foi exibido no museu Eden de Nova York em 30 de janeiro de 1898, sendo bem recebido pelo público. Houveram tentativas de barrar a projeção deste filme por problemas de direitos autorais com uma peça de teatro no qual foi baseado o roteiro.

Sabendo do filme, a companhia de Edson pediu os direitos de patente sobre o filme, o qual acabou conseguindo com o recebimento do negativo.

A premissa de optar por este gênero de filme se baseava que o cinema, tão novo de concepção, já estava conseguindo cansar seus espectadores por apresentarem apenas os clips "nickeodeon" e cenas do cotidiano. Os produtores, em busca de novidades, extraíram da Bíblia e nas artes cênicas uma inspiração para agregar uma dramaticidade popular, ao mesmo tempo digna, em suas produções.

Como veremos a seguir, após The Passion Play of Oberammergau, centenas de versões do nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo foram transcritas para as telas.

FROM THE MANGER TO THE CROSS (1912)

Super produção para a época, From the Manger to the Cross é considerado o melhor filme mudo que mostra uma versão cinematográfica da vida Cristo, em um filme despretensioso e honesto aos quatros livros do Novo Testamento.

Robert Henderson-Bland protagoniza um Cristo suave e digno em uma cuidadosa dramatização dos pontos altos que vão desde o nascimento até a sua morte na cruz, com especial destaque aos seus milagres.

A direção de Sidney Olcott denota ao filme uma base criativa: "quando o Milagre de Canaã é mostrado, a mudança de água em vinho é ressaltada quando Henderson-Bland subitamente assume uma pose dramática e faixos de luz milagrosos iluminam sua face. Antes, no filme, quando Jesus é mostrado como menino carregando uma tábua de madeira perto da carpintaria de seu pai, a luz do sol se inclina em direção ao menino para que uma sombra profética de uma cruz apareça no chão" (KINNARD, Roy e DAVIS, Tim. Divine ..., op.cit. p. 22.)

Outra ênfase do filme é vista na relação enaltecidas das personagens feminina com Jesus, deixando de serem relegadas ao segundo plano frente aos apóstolos, ou na reducionista visão de mulheres sedutoras ou prostitutas. Segundo William Tatum, "não há dúvidas da caracterização positiva das mulheres no filme reflete a mão da própria roteirista, Gene Gauntier" (TATUM, William C. Jesus at ..., op.cit., p. 24.)

Na produção, panos de fundo e filmagens in-loco nunca antes vistos na direção de arte nos estúdios em 1913 deram o status de parecer que tinha sido gasto mais do que o valor declarado pela Kalem, produtora do filme, chegando aos 100 mil doláres.

INTOLERANCE (1916)

Considerado como pai e pioneiro do cinema americano moderno, D. W. Griffith ousou arriscar sua fortuna para produzir o ambicioso Intolerance que consumiu 1,9 milhão de dólares, valor destinado principalmente aos enormes cenários erguidos em Hollywood com escala real aos encontrados na extinta Babilônia.

O Jesus de Griffith - o grande inimigo da intolerância - ocupa apenas vinte minutos entrecortados em suas três horas completas de exibição, divididos em quatro macro-histórias: um jovem setenciado de morte por um crime que não cometeu; o massacre de Huguenots no Dia de São Bartolomeu em 1572; a crucifixação de Cristo e a queda da cidade de Babilônia em 539 A.C.

Griffith se interessa pelos confrontos entre Cristo (Howard Gaye) e os fariseus, religiosos hipócritas, orgulhosos e intolerantes com o vinho, festas e direitos de liberdade de expressão do povo. As poucas cenas demonstram absolutamente esta tendência: o milagre de Canaã na transformação da água para o vinho, a premência de morte por apredejamento da mulher adúltera e a morte na cruz.

A mensagem de Griffith é progressista frente ao moralismo dominante na época: ele acreditava na potencialidade da humanidade em detectar e resolver seus problemas, contrariando toda perspectiva daqueles que clamavam saber o que é melhor para a sociedade, sem tolerar a pluralidade e pontos de vista divergentes. Em Intolerance, Cristo não é o Salvador, apenas um mártir, vítima da intolerância dos fariseus.

Como ocorrido como Cidadão Kane, de Orson Wells, Intolerance foi um épico fracassado comerciamente, mas entrou para a história como um trabalho único no cinema mundial.

Anos 20

BEN-HUR (1925)

O épico da Metro-Goldwyn-Mayer é outro destaque do cinema da era silenciosa pelo seu gigantismo e acuridade empregada: grandes cenários e batalhas navais em escala natural, excitantes corridas de bigas, efeitos efeitos e trabalho de inúmeros dublês levaram a produção a consumir US$ 4 milhões na realização deste filme.

O drama do filme gira em torno do conflito entre Bem-Hur (Ramon Novarro) e Messala (Francis Bushman). As cenas intercaladas que mostram os atos de Jesus Cristo não identificam o ator - este sempre está fora das telas, gesticulando com um braço ou aparecendo de costas.

THE KING OF KINGS (1927)

Poucos filmes são tão bem pesquisados e elaborados, como também tão precisos nos figurinos e arquitetura, e nenhum em valores de imagens sensíveis à composição visual dramática e de iluminação como The King of Kings, dirigido por Cecil B. DeMille.

A visão criativa de muitas cenas representam o grande talente de DeMille. O Jesus interpretado por H.B.Warner é um personagem viril e carismático, convicente anto no plano humano como divino.

O filme, segundo a crítica do periódico New York Times, agradou ao público: "Nem uma palavra sussurrada foi pronunciada pelo público durante as exibições. O filme prendeu as atenções ... Estas longas séries de cenas animadas, com bons cenários, vestuários e uniformes adequados e elenco de atores, são realizações em filme, extraordinárias e sem precedentes".

Anos 30

THE LAST DAYS OF POMPEII (1935)

Apesar do vulcão (e não a ira divina) ter entrado em erupção, destruindo Pompéia no ano de 79 D.C., neste filme os fatos foram mudados e moveram o desastre algumas décadas para fazê-lo coincidir com a crucificação de Jesus. Apesar dos erros cronológicos, a proposta benéfica e redentora é evidente de The Last Days of Pompeii.

Um ferreiro chamado Marcus (Preston Foster) se torna gladiados após sua mulher e filho morrerem sobre as rodas da carruagem de um nobre. Obcecado pelo desejo de riqueza, ele adota Flavius, o filho de um companheiro gladiador que morreu em arena, Marcus é ferido em combate, e então se torna um mercador de escravos, como profissão alternativa. Pilatos (Basil Rathbone), conhecedor da reputação de Marcus como mercenário, secretamente o emprega como ladrão de cavalos, mas o filho adotivo de Marcus é ferido em um dos assaltos. Jesus Cristo entra na história para curar o garoto, e quando Marcus deixa a Judéia com Flavius, eles presenciam a crucificação de longe, sem Ter conhecimento da verdadeira importância do evento. Vários anos se passam, com Marcus enriquecendo e obtendo influência até chegar a comando da arena de Pompéia. Quando o então crescido Flavius, que se tornara um cristão, é capturado e jogado na arena com outros prisioneiros condenados à morte pelos perseguidores de religiosos, Marcus finalmente entende o erro de seus modos e tenta salvar os mártires, justo quando o vulcão entra em erupção. Sacrificando a si mesmo para libertar seu filho e outros cristãos, ele morre na violenta tempestade de fogo que envolve a cidade, mas é abençoado com uma visão de Jesus Cristo.

Anos 40

STRANGE CARGO (1940)

A polêmica trama alegórica da MGM envolve um grupo de prisioneiros que, escapando da Ilha do Diabo e levando consigo uma dançarina, são acompanhados por uma misteriosa figura, que se presume ser Jesus Cristo.

Filme controverso por natureza, Strange Cargo levou a Legião Católica de Decência a se declarar sobre o filme que "apresentava um conceito naturalista da religião, contrário aos ensinamentos de Cristo, uso irreverente das escrituras e implicações lascivas em diálogos e situações". Já a crítica especializada ora achou confuso, ora sem profundidade o desenrolar da ação.

THE GREAT COMMANDMENT (1942)

É um drama de cristãos em oposição ao regime dos Romanos em 30 D.C. e segue Cristo e seus discípulos enquanto eles espalham o Evangelho a seus irmãos. Apesar de Jesus não ser visto em cena, sua voz é ouvida em off. Tal tema religioso é solapado pela instrusão de um romance entre Joel, o líder uma rebelião contra o Império Romano e Tamar, a esposa de seu irmão, Longinus. Com a morte deste, Joel e Tamar ficam livres para admitir seu amor um pelo outro e influenciados pelo cristianismo, eles rejeitam a violência revolução.

Como a revista Variety coloca, "amor pelo próximo e outros ensinamentos do carpinteiro de Nazaré formam a base do filme, com um romance jogado dentro, que falha ao recompor os personagens".

Anos 50

QUO VADIS? (1951)

Mesmo após diversos problemas ocorridos com a produção realizada pela Metro, Quo Vadis foi um grande sucesso mundial e pode preparar o caminho para a era dos grandes épicos que estariam por vir.

O único ponto onde Jesus aparece em cena está a reconstituição da Santa Ceia, meticulosamente vestido como na pintura de Da Vinci.

O destaque neste filme ficou para o imperador Nero, representado por Peter Ustinov, tão ricamente detalhado que apesar de todos os crimes infames cometidos na delegação dos domínios romanos, o espectador fica quase com pena quando ele morre louco, só, e inocentemente confuso com a perda de seu poder.

O poder da representação consegue facilmente inverter os valores de justiça. Pensando em cinema e realidade, qual a causa, além do simples mérito teatral e boa performance do ator, que Nero recebe o pseudo-perdão da platéia? Não seria este ato um auto-engano coletivo, como ocorre na política, principalmente nas eleições?

SALOMÉ (1953)

Nem sempre um filme com premissa religiosa pode ser um filme adequadamente coerente com tais crenças (A Última Tentação de Cristo que o diga). Salomé chega a distorcer a mensagem bíblica para trazer uma proposta comercial e sensual a cabo do papel para Rita Hayworth (de Gilda).

A trama tradicional foi completamente distorcida pelos roteiristas; desta vez Salomé dança para salvar João Batista, e quando sua cabeça e decapitada e apresentada a ela, ela foge do palácio do Rei Herodes em desgosto, juntando-se ao seu amante romano enquanto escutam o sermão de Jesus na montanha. No fim, puro sexo insinuado.

THE ROBE (1953)

A primeira produção com a tecnologia CinemaScope, The Robe conta a história de Marcellus (Richard Burton), um centurião romano que recebe ordens de crucificar Jesus Cristo. Indiferente às suas ações, e até jogando com seus soldados subordinados pela posse do manto de Jesus, enquanto sua vítima morre na cruz, Marcellus fica alarmado quando uma violenta tempestade começa e, no caos, ele vê seu escravo grego Demetrius dobrando tristemente o manto de Jesus. Demetrius é mais tarde convertido ao cristianismo pelo apóstolo Pedro. Marcellus, de posse do manto de Jesus e questionando seus próprios valores, é influenciado por sua namorada de infância Diana, agora cristã e gradualmente abraça sua crença. Recebendo ordens do insano imperador Caligula para renunciar a Cristo, Marcellus recusa, e é condenado a morte com Diana. Antes de sua execução, entretanto, passa o manto para os cuidados de Demetrius

BEN-HUR (1959)

Vale como nota de produção a nova versão da MGM de "Ben-Hur", o máximo em espetáculos religiosos na década de 50, mas não aprofundaremos em realizar relações entre as versões de 1925 e1959.

A diferença notada em "Ben-Hur" e outros espetáculos - bíblicos ou não - segundo a Variety, "é a sua sincera preocupação com os seres humanos. Eles não são apenas peões recitando diálogos floreados, para encher os espações entre a ação e as cenas de espetáculos. Eles criam sentimentos emocionais genuínos entre a audiência ... A história nunca é banal ou antiquada, fatores que prejudicam filmes bíblicos anteriores".

Considerações Finais

Junto com a chegada do som, o cinema "tirou" Jesus do altar. A temática dos filmes religiosos (ou que falam sobre) ampliam o leque da dramaticidade conflituosa entre o divino e o humano: o sentimento da natureza, a condição humana, o conhecimento do próximo, o amor, o desapego de si ... a questão religiosa não foi desatada à questão do cotidiano.

A Bíblia, apesar de toda sua proeza e encanto em descrever a quase caótica relação entre o Criador e a humanidade, deixa em vago muitos detalhes. Ótimo para os roteiristas, produtores e diretores, que começaram com uma cópia teatralizada e imagem solene e intocável de um Cristo todo divino. Isto até o crash de 1929. A audiência necessitava a partir daquele momento de algo mais introspectivo e realistas, explorando Jesus, um homem que, segundo as próprias escrituras, também é Deus. Uma segunda fase, mais introspectiva ainda, veio com os movimentos sociais, políticos e religiosos ocorridos na segunda metade da década de 60.

Os problemas desta conduta são evidente: a busca pelo lucro fácil e o favorecimento pelo gosto da audiência trouxeram as famosas consequências antagônicas do capitalismo

Aqui também cabe um comentário cruel onde os produtores dos filmes religiosos conseguiram realizar ao que muitos dos próprios cristãos ainda não conseguiram realizar em sua totalidade: eles contextualizaram a mensagem de Cristo para os dias atuais. Colocou-nos ainda mais perto Dele. O Ser intocável pintado pelos renascentistas e pelos cristãos toma caráter humano. Sorri, chora, fica cansado, morre ... mas fala sobre o reino de Deus fazendo analogias com fatos e instrumentos cotidianos daquela época: o imposto de César, os pães, os peixes .... e também, por ser também Deus, aspira o desejo humano de superá-la ressuscitando (hoje damos uma esticadinha na diegese humana através de cirurgias plásticas e drogas da felicidade).

Muitos atores famosos falharam em traduzir o grande labirinto de contradições dramáticas que os personagem bíblicos, principalmente Jesus (e num plano menor Moisés) ofereciam; "ele deve ser convicententemente humano, ao mesmo tempo divino, gentil porém poderoso, carismático mas humilde" (IWERSEN, José Augusto. op.cit.)

O último grande sucesso deste tipo de cinema foi Impacto Profundo (Deep Impact, EUA, 1998) de Mimi Leder. Ousado na linguagem, transforma metaforicamente Cristo em uma nave espacial - chamada de "Messias" - contendo ogivas nucleares com potência necessária para destruir o cometa em rota de colisão com a Terra e, por fim, para salvar a humanidade. A operação falha, como podemos ver no cartaz do filme, mas o slogan do filme revela algo arrebatador para o final: "Ondas Gigantes. Cidades destruídas. Resta a Esperança".

Tais temas são transpostas para o cinema como realidade vivas e múltiplas, pois cada autor encara tais questões sob ângulos singulares entre si. Em cada obra recebemos uma visão renovada da percepção bíblica (como um Cristo negro interpretado por Woody Strode em "Black Jesus" ou a performance do showman em "Jesus Cristo SuperStar"), dignas ou não de reflexão. Tema espiritual não significa bom filme.

Diante de tantas tentativas em melhor interpretar as narrativas bíblicas originais ao cinema, "o poder de encarnação manifestado nos belos filmes afirma a fecundidade da religião cristã" (AGEL, Henri. op.cit.), completando que "para produzir filmes de alto valor espiritual, é necessário começar por viver sua religião, senão a impostura necessária explodirá depressa. Mas é também preciso, por amor àquele que desejamos ver glorificado e para quem pedimos que 'venha a nós o seu reino', fazer com que sua mensagem se espalhe o mais amplamente possível, atingindo um grau mais puro de materialização".

Bibliografia
IWERSEN, José Augusto. Cristo no Cinema: visões de amor, paz, dor e ... espetáculo. São Paulo: Editora Sampa, 1996.
TATUM, W. Barnes. Jesus at the Movies: a guide to the first hundred years. Santa Rosa, CA: Polebridge Press, 1997.
KINNARD, Roy e DAVIS, Tim. Divine Images: a hystory of Jesus on the screen. New York, NK: Citadel Press Book, 1992.
AGEL, Henri. O cinema tem alma? Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1963.
BERNARDET, Jean-Claude. Cinema e Religião. In: O Cinema no Século. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1996, p.187-194.

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